Minha Irmã Mora Numa Prateleira é uma história cativante escrita pelas hábeis e talentosas mãos de Annabel Pitcher. Atrevo-me a dizer que o simples título mórbido do livro nos incita a espiar suas páginas e versar sobre que surpresas se escondem nas palavras de Annabel. Para começar nos surpreendendo, Pitcher escolhe para o narrador de nosso enredo uma criança, um garoto inocente chamado Jamie, que observa sua vida e a relata ingenuamente para quem estiver aberto a ouvi-lo (ou no caso, lê-lo). Jamie vem de um lar devastado, a morte de sua irmã, em um atentado terrorista, destrói o que havia sobrado do casamento de seus pais, sua mãe sai de casa para apaixonar-se por alguém que não o homem com quem era casada até então, sua irmã não suporta ser tratada como um reflexo da gêmea falecida e seu pai, tomado pela dor, resolve mudar-se e levar os filhos para outra cidade. Seu pai bebe, sua irmã mal come, seu gato laranja é sua companhia diária e todo dia ele sente falta da mãe e espera por suas notícias. Como qualquer outra criança, espera que em seu final feliz sua mãe volte para casa e que para seus pais ele e sua irmã bastem. Em sua nova cidade Jamie conhece no primeiro dia de aula Sunya, a garota mais diferente da escola, para a atenção constante de seus olhos: ela era muçulmana. Como podia? Uma criança da idade dele estar envolvida com a mesma religião daqueles responsáveis pela morte fatídica de sua irmã. Jamie é cego pelo preconceito e dor de seu pai e em seus primeiros dias não pode deixar de renegar e, até mesmo, temer Sunya. Contudo, logo ela se torna a única amiga que ele tem. Juntos eles descobrem um universo totalmente novo e criam seu mundo de fantasia, são super-heróis com propósitos diferentes dos demais. O que mais impressiona nesse livro é acompanhar a desconstrução do preconceito do Jamie com aquele que é diferente de sua família, é curioso acompanhar como os pais são os primeiros exemplos dos filhos e como eles podem deixar uma impressão marcada para sempre. Acompanhamos com Jamie o processo de cura de seu pai, o abandono de sua mãe e o esforço de sua irmã para que ele se sinta verdadeiramente amado. Minha Irmã Mora Numa Prateleira não é uma história sobre finais felizes ou conto de fadas, é uma história de dor, de preconceito, desconstrução, tragédias e superação. É maravilhoso poder acompanhar os sentimentos do doce menino vestido com sua camiseta do homem aranha. Talvez nossa situação não seja a mesma que a dele, mas não se comover com sua história é impossível. Jamie pode não saber, mas ele muda nossos pensamentos, ou ao menos, nos faz pensar de verdade sobre o modo como vemos a vida e o modo como deveríamos vê-lá. Afinal, estamos dispostos a deixar o passado ser nosso presente?
O livro Carta de Amor de Paris, escrito por Samantha Vérant, é uma comédia romântica e real! Samantha não é só nossa escritora, mas também nossa protagonista divertida que nos faz gargalhar com as situações em que ela se encontra.
Por diversas vezes penso em pesquisá-la na Internet e entrar em contato para saber como vai sua vida fora da ficção, torcendo sempre, é claro, para que esteja melhor ainda!
Samantha nunca chamaria sua vida de conto se fadas, por mais que tenha sido um belo de um romance. No início de tudo encontramos Samantha em meio há uma crise, após trinta nove anos perdida em suas emoções e sem nunca ter se rendido a um relacionamento verdadeiro (responsabilizamos seu pai ausente por isso) ela decide, finalmente, responder as cartas de um amor de 20 anos atrás.
Aí sua história começa, divorciada, falida e sem emprego, ela abandona sua vida, que não tem mais nada a lhe oferecer, volta a casa de seus pais e, pela primeira vez, embarca em um verdadeiro romance com um francês que conheceu em sua viagem a Europa quando uma adolescente.
A autora/protagonista nos faz rir de suas gafes no francês, faz-nos suspirar com seu romance, faz-nos roer as unhas com suas dificuldades e, principalmente, nos faz querer ler cada página até o final para ter esperanças de que a vida real possa ter um final feliz.
Para começar com o clichê, eu gostaria de dizer que não faço idéia de como escrever isto. Eu nunca fui boa em dizer adeus, nem mesmo se tivesse me dado um aviso prévio eu conseguiria bolar uma despedida, porque, honestamente, que tipo de masoquista pensaria em dar adeus a uma parte tão nova de si mesmo? Quem diria adeus a um sorriso tão raro?
Se a idéia é me torturar com perguntas sem respostas eu deveria começar me perguntando a maior dúvida de todo esse quebra cabeça, assim como a mais torturante. Arrisco-me a dizer, mais uma vez: Por quê? Cinco anos foi o suficiente? Eu não vivi nem metade do que queria com você.
Peço perdão pela hipocrisia e por minha autodestruição que não pude conter ao longo dos anos.
Gostaria que essa fosse uma despedida apropriada, gostaria de estar frente a frente com teu túmulo, mas ambos sabemos que eu não vou criar coragem para pedir que alguém me leve lá, não importa a desculpa que eu crie sobre isso, a verdade é que sou covarde. Queria que eu lhe desse motivos para ver o orgulho em seus olhos como quando o vi pela última vez, mas eu tenho envergonhado a mim mesma, quem dirá o que tenho feito a você.
Admito que estou tentando transformar isso em uma dupla despedida, um adeus a você e a quem eu costumava ser, mas devo alertá-lo que sou tão falha quanto o que te levou.
Perdoe-me, acho que quero dizer, por não ter feito tu veres o quanto eu te amei e te desejei, perdoe-me se de vez em quando penso que estou tendo apenas pena de mim mesma e que não seríamos próximos se você ainda estivesse aqui, perdoe se imaginei um futuro para você e se pensei que um dia pudéssemos ser melhores amigos, perdoe-me a cima de tudo por ter uma memória tão fugaz. Eu deixei você ir. Deixei sua lembrança ir enquanto eu devia ter segurado ela, pois era tudo o que você me deixou. Queria que sua risada fosse música para que eu pudesse tocá-lá de novo.
Considere isso uma das cartas que te escrevi, e onde quer que esteja, guarde-a contigo, enquanto eu tento segurá-lo em minha memória.


