Eu não vim até aqui para fazer o dia da mulher todo branco ou todo preto quando, na verdade, ele é cinza. É cinza, pois eu não vou tirar a alegria desse dia, do orgulho que estufa meu peito ao andar na rua, não só hoje, mas sempre, e pensar "eu sou mulher e eu tenho força". Orgulha-me, imensuravelmente, ser mulher, porque eu sei que no meu sangue corre mais luta e mais força do que eu posso contar. Contudo, ser mulher é pagar um preço caro. É andar na rua com orgulho, mas com medo também, é se sentir constrangida e violada o tempo todo e ser inferiorizada todo dia. Hoje, nessa postagem especial e, talvez, a que eu mais espero durante o ano, eu decidi trazer para você exatamente isso: o cinza. Vou trazer para vocês o pior lado do nosso gênero, mas também trarei a mesma homenagem de sempre a mulheres literárias que tem me inspirado desde a infância, e, dessa vez, com uma tag especial do instagram @pintandoletras - #DesafioLiterárioWonderWoman
Primeiro, gostaria de começar esclarecendo minhas escolhas para a Tag criada por Jéssica Spuzzillo.
1- Para uma líder, eu escolho Annabeth Chase, pois sem ela Percy Jackson teria virado comida de monstros em sua primeira missão. Annabeth sempre me inspirou por sua força e inteligencia, acho que ela é um perfeito exemplo para o dia da mulher, principalmente porque ela nunca parou de lutar.
2- Para uma personagem vaidosa, eu escolho Isabelle Lightwood e, com todo respeito, QUE MULHERÃO DA PORRA! Isabelle não precisaria passar nem mesmo um batom vermelho que continuaria uma das mulheres mais maravilhosas que já vi na vida.
3- Para uma mãezona, escolhi Molly Weasley, quem não só foi mãe de 7 filhos, mas também de Harry, quem mais precisava, e de Hermione, que mesmo contando com uma mãe em casa, sempre teve uma mãe no mundo bruxo para acolhe-la e trata-la como sua própria filha. Molly Weasley foi uma bruxa foda para caralho que merece todo o nosso respeito e admiração - ela é a prova viva de que esse esteriótipo de que mãe tem que parar a vida para os filhos é besteira, pois ela pode lhe tricotar um suéter de natal enquanto derrota um comensal da morte. Molly faria tudo por seus filhos e por quem ama.
4- Para uma personagem guerreira, escolhi Hermione Granger, não só porque a própria personagem é o cérebro do trio de ouro (sem ela, eles teriam sido comidos por um basílisco), mas também porque sua atriz, Emma Watson, representa exatamente isso para mim: uma mulher guerreira. Não consigo explicar a admiração e amor que sinto por ela, sequer ouvi sua voz me enche de orgulho e me emociona e eu transbordo pelos olhos. Emma Granger ou Hermione Watson, são guerreiras dentro ou fora dos livros e eu sonho que um dia serei capaz de inspirar tantas pessoas como elas fizeram e ainda fazem.
5- Para uma personagem moderna, eu escolhi America Singer. Escolhi America, porque mesmo em seu tempo, que se passa no futuro, os valores são retrógrados e medievais e, ainda assim, America se sobressai como a maior feminista que você respeita, sempre levantando-se contra as injustiças e deixando bem claro seu valor - ela nos ensinou que a sua ética estava acima de tudo e que ela lutaria para receber o que merecia (mesmo que isso seja só a torta de morango do palácio).
6- Confesso que uma personagem esportista foi difícil de escolher (deuses, Jéssica, o que você estava pensando?), porém eu acabei escolhendo Clary Fray - quem, mesmo despreparada, abraçou seu destino e entrou de cabeça nesse mundo novo: com demônios, bruxos, vampiros, lobos, anjos e caçadores de sombra. Talvez fosse seu sangue "shadowhunter", mas Clary demonstrou habilidade, vontade e disposição (física e emocional) para lidar com tudo isso - acho que você precisa ser bastante esportista para tudo isso. Talvez seja uma escolha coringa, talvez eu tenha elaborado mal minhas desculpas, mas é o que temos para hoje e poderia ser pior.
7- Para uma personagem sonhadora, eu escolhi minha heroína de infância e princesa favorita, quem, eu confesso, chorei ao conhecer. Minha escolha é Ariel, a princesa do mar. Ariel foi a primeira a me ensinar que tudo bem sonhar, tudo bem ter a cabeça nas nuvens, mesmo que você pertença ao mar, porque, na verdade, só você pode definir onde pertence. A Pequena Sereia tem sido meu exemplo em todos esses anos, desde que nem mesmo seu nome eu podia pronunciar, ela nunca me deixou na mão e acho que nunca superarei essa minha fase Disney - nem quero. Foi muito importante crescer com o exemplo de Ariel, eu nunca esqueci de lutar pelo que quero e amar intensamente.
Com a tag realizada, gostaria de lembrar a vocês que a postagem ainda não acabou. Antes de finalizá-la gostaria de trazer a vocês um pouco do meu pensamento sobre o que é o dia da mulher e o que ele me faz sentir.
Mais uma vez, o dia da mulher chegou. O que isso traz a vocês? Que sentimentos e lembranças percorrem suas mentes ao encarar o dia oito de março em seus calendários? Nada? A mim, traz dor. Talvez orgulho pelas milhões de mulheres que lutaram e continuam lutando, que me inspiram todo dia (Oi, dinda!). Mas traz dor, sim.
Sinto dor por Elisa, morta pelo ex-parceiro - quem ainda é prestigiado, e que não pode ver o filho crescer; dor por Pricila, queimada pelo antigo companheiro; dor por Rakelly, de apenas oito anos, quem sentiu cedo demais o peso do machismo ao ser violentada e estrangulada pelo caseiro do vizinho; dor por Silvia, mãe de dois filhos, que, grávida, foi esquartejada pelo ex-marido; dor por Sophia, que com 4 anos foi agredida e asfixiada pelo próprio pai; dor por Emanuelle, mulher trans, apedrejada até a morte; dor pela minha prima, quem, cedo demais, teve que lidar pela segunda vez com a morte de perto ao ter a amiga esfaqueada pelo pai.
Sinto dor e uma imensa tristeza, misturada com fúria e indignação, por todas essas mulheres e outras mais que tiveram seu sangue injusta e violentamente derramado, Sinto dor por nós, mulheres, porque nenhuma dessas mortes foi ou será o suficiente para dizer BASTA.
O dia da mulher não é sobre flores, #agoraengulamasflores, ou sobre chocolates. É sobre dor, luta e orgulho. Não é, nem nunca foi, apenas sobre o fim de suas ofensas machistas, assobios ou comentários inapropriados, sobre equidade salarial e liberdade de expressão - é sobre muito mais. É sobre parar esse derramamento de sangue que nunca devia ter começado. Somos mais juntas e só assim podemos, e vamos, parar tudo isso. Não deixe a morte dessas mulheres ser em vão. Não deixe atitudes como de Frida Kahlo e Rosa Parks ser em vão. Lute todo dia e não pare até que todos as mulheres sejam livres - mesmo que as correntes delas sejam diferentes das suas.

