O Melhor Amigo

12:16:00

Laura morou por exatos vinte anos com seus pais, desde o dia em que saiu do útero de sua mãe até o dia em que comprou um apartamento, exatamente uma quadra depois da universidade. Sentindo-se sozinha demais comprou um cachorro, não muito grande nem muito pequeno, um cachorro perfeito para um apartamento de um único quarto. Porém Laura tinha uma péssima tolerância a barulho alto, principalmente aos latidos de cachorros: se um cachorro começa a latir todos começam e não param nunca mais. Para evitar ter de lidar com um cachorro barulhento, Laura mandou remover suas cordas vocais - o cachorro não pareceu se importar, ficava quieto sempre aos pés de Laura recebendo carinho na barriga, saia para passear duas vezes ao dia e ganhava comida três. Ele sempre dormia com ela.
Laura chegou mais tarde do que o normal em casa, em uma noite nada peculiar, o cachorro correu até ela e pulou, enquanto tentava latir. No inicio ela achou uma graça, depois começou a incomodá-la.
-Chega Tony, chega.
O cachorro não parou, acompanhou a dona enquanto ela tomava um copo de água e ficou batendo na porta do chuveiro, fazendo com que Laura pensasse em cortar suas unhas, que protestavam incansavelmente no vidro do Box.
 -Você vai visitar a veterinária amanhã e não vai nem se lembrar o que são unhas. – ameaçou ao sair do banho e se enrolar na toalha.
 Normalmente Tony era um cachorro bonzinho e a obedecia seja qual fosse a ordem. Ela dizia chega e ele deitava quieto exatamente onde estava, mas dessa vez ele fazia de tudo para que ela prestasse atenção. Ele saiu do banheiro, e ela suspirou espalhando o hidratante pelo corpo. Tony voltou com a guia na boca começou a pular e tentar latir novamente, Laura rolou os olhos.
-É tarde, Tony, não vamos passear – o cachorro continuava suplicante – Tony chega! Você vai dormir no banheiro. Cansada Laura vestiu seu pijama e trancou a porta do banheiro, onde o cachorro Tony ficou protestando contra a porta. Laura tapou a cabeça com o travesseiro e fechou os olhos tentando cair no sono. Sem conseguir Laura jogou o travesseiro para o lado, braba e irritada, pronta para xingar o animal e, provavelmente, o botar para a sala de estar. Mas, quando abriu os olhos, a única coisa que conseguiu ver foi um manto preto que lhe cortou o canto da garganta. Com um riso macabro ecoando ela observou, em seus últimos segundos de vida, a escritura vermelha que formava uma nova decoração na parede.
“Está contente por calar o melhor amigo do homem?”.
Seu olhar ficou borrando até não enxergar mais nada.

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